Dave Mustaine e Megadeth uma carreira triunfante

By Luciano Roberto on 5/07/2009 11:15:00 PM ,
Um quarto de século, quase 20 milhões de discos vendidos. No Metal, as vendagens não são um ponto chave para caracterizar uma banda, uma vez que qualquer lixo musical “pop” hoje em dia vende em um mês o que uma banda de underground de metal tradicional não conseguiria em uma carreira. Mais importante do que o número de discos vendidos é o tempo em que um grupo está na ativa; e mais importante do que seus 20 milhões de álbuns é a qualidade musical deles. Discos com pegadas fortes e letras que cativam o ouvinte e, em especial, o metaleiro “headbanger”. Esse feito importante descrito acima surgiu das mãos de um dos melhores guitarristas e letristas que a vertende “Thrash” do Metal já teve: David Scott Mustaine.

O COMEÇO DE TUDO

Nascido no dia 13 de setembro de 1961 na cidade de La Mesa, Califórnia, Dave era o filho caçula de Jonh e Emily Mustaine. Sua mãe era uma simples dona de casa e seu pai era um banqueiro bem sucedido, mas com um vício terrível: o alcoolismo. As três irmãs mais velhas de Dave, juntamente com sua mãe, eram frequentemente agredidas pelo violento e alcoólatra John e quando Mustaine tinha apenas quatro anos de idade seus pais se divorciaram. Com a situação um pouco mais confortável, e sem as ameaças do marido, a senhora Emily sustentava a família como empregada doméstica com muita dificuldade.
Em 1969 a mãe de Dave Mustaine deu ao filho um violão e o garoto de sete anos aprende sozinho os primeiros acordes. Mas o pequeno Mustaine pouco sabia sobre o instrumento que ganhara e “só fazia muito barulho” com ele, despertando a ira de sua irmã Debbie que um dia, enfurecida, quebra o violão na cabeça do jovem irmão. Irritado com a atitude de sua irmã, Dave abandona a idéia de tocar por um tempo e descarrega sua raiva jovial no time de baseball de sua escola.
Contudo, o terrível John Mustaine aparece de novo na vida da sofrida família e começa a persegui-los constantemente, fazendo com Emily e seus filhos se mudem a todo instante de casa em casa. A situação só melhorou quando Dave, sua mãe e suas duas irmãs se mudaram para a casa de Suzanne, sua irmã mais velha em fevereiro de 1975, ano que Dave conheceu o Heavy Metal através do disco “Sad Wings Of Destiny” do Judas Priest. O marido de sua irmã Suzanne era um homem religioso e não admitia que seu jovem cunhado escutasse tal música em sua casa. Mais uma vez contrariado e irritado, Dave começa a vender drogas e comprar seus próprios discos de Metal se tornando fã de bandas como Motörhead, Saxon e Iron Maiden.
Em 1978, o jovem Mustaine decide largar os estudos para se dedicar à guitarra, seu instrumento favorito. Coincidentemente ele começa a perceber como as pessoas davam atenção especial aos guitarristas, principalmente aos talentosos, como ele próprio. Na mesma época ele tem sua primeira banda chamada “Panic” e o grupo faz alguns shows na região de Arizona. Através dessa banda, Mustaine conhece o mundo do Rock ‘n Roll, pois ele se destacava dos outros componentes por tocar de um jeito agressivo e com riffs e solos bastante velozes. Mustaine se tornava famoso em sua região e todos o admiravam. Isso era tudo que ele queria e tinha: garotas, bebidas, drogas e ter uma banda que toca mais rápido que seus próprios ídolos. Mas esse momento de alegria e prazer do habilidoso Mustaine seria bruscamente interrompido com um terrível acontecimento.
No dia 23 de junho de 1978, Dave e seus amigos estavam bebendo tranquilamente em um apartamento em Arizona quando o telefone toca. Era sua irmã Michelle informando que o pai deles estava gravemente internado no hospital. Ainda embriagado, Mustaine chega ao hospital e lá seus familiares contam a ele que seu pai sofrera um terrível acidente de carro. Sua irmã olha o estado alterado de seu irmão mais jovem e diz que, se continuar a beber e abusar do álcool, ele teria o mesmo fim que seu pai tivera. No mesmo dia o pai de Dave Mustaine morre. Parece que, mesmo depois da morte do próprio e pai e com a advertência dada pela sua irmã, Dave infelizmente herdou o alcoolismo por parte de sua apagada figura paterna, fato esse que acompanharia o músico por quase toda sua carreira. Nos anos seguintes, Dave se entediara com sua banda Panic. Contudo, mais uma vez, o destino mudaria o caminho do jovem e talentoso guitarrista.

DAVE MUSTAINE E METALLICA

O ano era 1982. A banda californiana Metallica, um dos pioneiros do Thrash Metal americano, começa a ganhar notoriedade e fama ao redor de sua região. Na época, eles não estavam satisfeitos com seu guitarrista solo, Lloyd Grant, uma vez que o mesmo não possuía a pegada “thrash” característica do Metallica. Dessa forma, o dono do grupo, o dinamarquês recém-chegado aos EUA Lars Ulrich, põe em um anúncio de jornal a vaga disponibilizada pela banda para ocupar a função de primeiro guitarrista. Como resposta, eles decidiram estar presente à audiência de Dave Mustaine, após vários testes com outros guitarristas. Na época, o Metallica contava com James Hetfield na guitarra base e nos vocais, Lars Ulrich na bateria, e Ron McGovney era o dono das quatro cordas. O quarteto se completara com a entrada do rebelde Dave Mustaine, uma vez que suas habilidades como solista e vontade agradaram tanto Lars quanto seu futuro parceiro de guitarra, James.

James Hetfield e Dave Mustaine, 1982

Mesmo sem um álbum gravado, a banda se tornou respeitada pela “demo-tape” que tinham, “No Life ‘Til Leather”, sendo que músicas como “The Mechanix”, “Jump In The Fire”, “Phantom Lord” e “Metal Militia” eram de autoria de Dave Mustaine. “Ride The Lightning” e “The Call Of Ktulu”, presentes no segundo disco do Metallica – Ride The Lightning – e até “Leper Messiah”, do “Master Of Puppets” têm as credenciais do guitarrista solo (Na época em que Dave esteve no Metallica, essa música se chamava "The Hills Ran Red"). Só isso dá prá ver que Helfield, Ulrich e McGovney contavam com um grande músico na banda. Eu disse “músico”, porque a pessoa de Dave Mustaine era um tanto quanto violenta naquela época principalmente quando bêbado ou drogado, lembrando um pouco a personalidade de seu finado pai. Mas, musicalmente falando, Mustaine era um show à parte no palco. Era seguro com sua guitarra e seus solos “fritantes” enlouqueciam o público assíduo nos primeiros tempos do Metallica. Dave, na época, era o mais talentoso da banda, sem dúvida. James Hetfield tinha dificuldades em tocar em cantar, Lars era inseguro e limitado com sua bateria e Ron McGovney era um baixista apagado e sem técnica. Já Dave Mustaine era firme e não ficava nervoso na hora dos shows. Muita gente não gostava dele, mas admitiam e reconheciam o dom que tinha: tanto o de tocar como o de arrumar confusões.


Dave Mustaine e James Hetfield, 1982

O grande problema que Mustaine enfrentava era o alcoolismo e o frequente uso de drogas. Não que os outros não faziam isso (Lars era frequentemente encontrado com Dave, sendo que ambos eram “chegados” numa maconha), mas Mustaine realmente abusava. Nos shows, ele anunciava as músicas, falava com o público nos intervalos de cada canção, atitudes essas que irritavam o restante da banda. Tudo isso regrado, no mínimo, a muito álcool. Prá piorar, James Hetfield nunca escondeu sua irritação com relação a esse comportamento por parte de Mustaine, tanto que os dois frequentemente discutiam, chegando até mesmo à agressões mútuas. Com o tempo, a situação foi piorando até o fatídico 03 de abril de 1983, último dia de Dave no Metallica.


Ron McGovney, Dave Mustaine, James Hetfield e Lars Ulrich, 1982

Depois de um show com a banda Vanderberg em Nova York, onde Dave dirigia um furgão completamente embriagado, Lars e James decidem despedi-lo. Mas os dois tinham ciência do temperamento irascível do companheiro e eles temiam uma reação explosiva por parte dele. Quem iria dar o veredito? Cliff Burton foi o primeiro a desistir, alegando ser recente na banda, Lars saiu pela tangente. Coube a James a árdua tarefa. No outro dia, bem cedo, Hetfield o acordou e falou que ele estava fora da banda de uma vez por todas. Sorte do guitarrista/vocalista, pois Mustaine ainda tinha o sangue mergulhado no álcool e, com isso, nem se deu conta que estava sendo despedido do Metallica. Ele foi colocado em um ônibus que partiu de Nova York até Los Angeles, uma viagem de três dias. Enquanto Dave partia, Lars and James se entreolharam pensativos. Acabaram por se embedarem para disfarçar a tristeza da demissão do ex-companheiro. Talvez Dave Mustaine sinta até hoje o que foi ser expulso do Metallica, ainda mais do jeito que tudo aconteceu. Mas, fato é que, ainda em 1983, ele jurou a si mesmo que montaria uma banda melhor do que a banda da dupla Ulrich/Hetfield.

A FORMAÇÃO DO MEGADETH


Mustaine estava cego de ódio e queria vingança a todo custo. “After getting fired from Metallica, all I remember is that I wanted blood. Theirs. I wanted to be faster and heavier than them". (“Depois de ter sido despedido do Metallica, tudo que eu lembro é que eu queria sangue. O deles. Queria ser mais rápido e mais pesado do que eles”). Já em Los Angeles, Dave conhece o futuro baixista de sua futura banda de uma forma inusitada. David Ellefson era vizinho de Mustaine e, num certo dia pela manhã, estava tocando seu baixo acompanhando a música “Runnin’ With the Devil” do Van Halen quando, de repente, viu um vaso de planta acertar e estraçalhar seu aparelho de ar-condicionado; logo em seguida, Ellefson ouviu um “cala a boca!” estrondoso. Mustaine se irritara com a música alta e, sem dar importância às consequências, atirou o vaso de onde emanava o som do baixo. Depois do mal entendido, os dois trocaram algumas idéias e decidiram montar uma banda e, juntamente com o baterista Dijon Carruthers e o guitarrista Greg Handevidt, é formado o Megadeth. Mustaine tirou esse nome do termo “Megadeath” (morte aos milhões), palavra essa usada em guerras, empregada frequentemente à morte de muitas pessoas, tal como aconteceu em várias conflitos mundiais do século XX.

Dave passa seis meses a procura de um vocalista e, em dezembro de 1983, ele mesmo decide ser o cantor de sua banda. No começo de 1984 o Megadeth grava uma demo com três canções: “Last Rites/Love To Death”, “Skull Beneath The Skin” e “The Mechanix”. Na época em que gravaram essa demo, o baterista era Lee Rausch e o segundo guitarrista era Kerry King do Slayer, pois Mustaine ainda não tinha achado um substituto definitivo. Assim, eles começam a fazer muitos shows e, depois dessa primeira “turnê”, Kerry King volta à sua banda de origem.

O PRIMEIRO DISCO

No ano seguinte, Lee Rausch é substituído por Gar Samuelson e para substituir Kerry King, Chris Poland foi o escolhido. Com essa formação, a banda começou os primeiros ensaios e o esboço do primeiro álbum foi sendo desenhado, tanto que, em novembro de 1984 o Megadeth assina seu primeiro contrato com a gravadora “Combat Records”. Para a gravação do álbum, o pessoal da “Combat Records” deu à banda uma quantia de 8.000 dólares, mas metade desse dinheiro foi gasto com álcool e drogas. Como consequência, a banda despede o produtor original e eles mesmo produzem o disco.

Com o nome “Killing Is My Business... And Business Is Good!”, o álbum é lançado em maio de 1985 e é muito bem aceito pela mídia e pelo público, pois se tratava de um verdadeiro disco de Thrash Metal. Todas as músicas e letras eram de auditoria de Dave Mustaine, inclusive “The Mechanix”, música que escrevera na sua época do Metallica. James Hetfield, por sua vez, mudou muito essa canção quando do lançamento do primeiro álbum do Metallica logo após a saída de Dave Mustaine. “Kill ‘em All” continha muitas canções escritas por Dave e “The Mechanix” ganhou uma nova roupagem, com letra diferente, um riff criado por Hetfield no meio da música e a consequente troca de nome para “The Four Horsemen”. O Megadeth sai em turnê pelos EUA e Canadá pela primeira vez com a banda Exciter.


Chris Poland, Dave Mustaine, Gar Samuelson e David Ellefson, 1985

É claro que o sucesso de seus ex-companheiros perturbava Dave Mustaine. Apesar de ele ver Kirk Hammett (que o substituiu, vindo do Exodus) gravar o tão primeiro esperado álbum com sua ex-banda e, principalmente, de ouvir quase todos seus solos serem executados por outro cara, Dave sempre foi um músico talentoso e criativo. O Megadeth ganhava respeito na cena Metal da época e muitas pessoas não tinham esquecido as habilidades de Mustaine na guitarra e seu temperamento explosivo.

A ESSÊNCIA DO THRASH METAL: “PEACE SELLS... BUT WHO’S BUYING”

Com o sucesso do “Killing Is My Business... And Business Is Good!”, o Megadeth grava seu segundo disco em 1986, o ótimo “Peace Sells... But Who’s Buying”, com a banda assinando com a Capitol Records, gravadora de grande porte nos EUA. “Peace Sells... But Who’s Buying” é um dos álbuns mais marcantes de toda carreira do Megadeth, pois as músicas mostram um amadurecimento explícito dos músicos, em especial Dave Mustaine. Seus riffs e solos poderosos são as marcas registradas desse disco espetacular, uma vez que músicas como “Wake up Dead” e a clássica “Peace Sells... But Who’s Buying” são tocadas nos shows até hoje. “The Conjuring, e “Bad Omen” mostram a violência do Megadeth; “Devil’s Island” dispensa comentários.



Chis Poland, David Ellefson e Dave Mustaine, 1986

É com esse álbum que a banda padroniza o seu mascote “Vic Rattlehead”, cujos desenhos são feitos pelo artista Ed Perka. No documentário “Behind the Music – Megadeth” de 2001, Lars Ulrich e James Hetfield contam como foi a repercussão do lançamento desse álbum em 1986 e os mesmos reconheceram a importância do mesmo no cenário Thrash Metal americano. Um verdadeiro clássico.

“Wake Up Dead” tour varreu todo o território britânico, tendo como banda de abertura o poderoso Overkill. A música “Wake up Dead” e “Peace Sells... But Who’s Buying” ganham um vídeo clip, os primeiros da história da banda. Mas, no final de 1986, Dave Mustaine despede Gar Samuelson e Chris Poland, baterista e guitarrista, respectivamente, de uma só vez. Isso mesmo, depois de um show da turnê no Hawaii, o líder do Megadeth descobre que os dois praticavam roubo de instrumentos para a compra de drogas como maconha e cocaína. Sem titubear e agindo como um general, Dave não hesita e põe os dois no olho da rua. No começo de 1987, Chuck Behler é o novo baterista da banda. No mesmo ano, após a breve passagem do guitarrista Jay Renolds do Malice, Jeff Young (professor de guitarra de Reynolds) é admitido por Mustaine. Turnês com Alice Copper e Mercyful Fate marcaram o ano de 1987 para a banda, tornando o Megadeth mais conhecido e respeitado ao redor do mundo.

OS TEMPOS CONTURBADOS NA ÉPOCA DO “SO FAR, SO GOOD... SO WHAT!”

Dave Mustaine, 1988

Com Dave Mustaine na guitarra e nos vocais, David Ellefson no baixo, Chuck Behler na bateria e Jeff Young na segunda guitarra, o Megadeth lança seu disco número três intitulado “So Far, So Good... So What!” em 1988. Esse álbum é tão agressivo quantos os dois primeiros, pois músicas como “Set The World Afire”, “Liar”, “Hook In Mouth”, a instrumental “Into The Lungs Of Hell” e a versão metal de “Anarchy In The U.K.” do Sex Pistols comprovam a ferocidade do Megadeth. Mas a produção desse disco não foi boa, devido ao frequente uso de drogas por parte de Mustaine & Cia. Nesse trabalho há a primeira balada da banda, com a bela canção “In My Darkest Hour”. Reza a lenda que Mustaine escreveu essa música um pouco depois de saber que seu antigo ex-companheiro do Metallica Cliff Burton tinha morrido no trágico acidente na Suécia em 1986. Contudo, “In My Darkest Hour” tem um dos refrões mais bonitos do Heavy Metal, sem sombra de dúvida.

Com o sucesso do terceiro álbum a banda consegue abrir vários shows na turnê que o grande Dio fez, tanto nos Estados Unidos quanto no Canadá, ainda no primeiro semestre de 1988, ano também que o Megadeth participa de um documentário sobre a história do Metal “The Decline Of Western Civilization II: The Metal Years”. Em agosto, o grupo toca no grande festival em Donnington para mais de 300.000 pessoas com Kiss, Iron Maiden e David Lee Roth como banda de abertura. Mas, mesmo com a agenda lotada de shows, parece que o Megadeth não consegue decolar, mesmo sendo uma banda de músicos habilidosos. O problema que o eles vinham enfrentando desde sua formação, isto é, o consumo absurdo de álcool e drogas. Tudo isso, querendo ou não, atrapalhava o relacionamento dos quatro integrantes.

Jeff Young, Dave Mustaine, Chuck Behler e David Ellefson, 1988

Reconhecendo o talento de Mustaine e a força do Megadeth, surge a figura do empresário Dough Thaler, que trabalhou com o Motley Crue. Ele assina um contrato com o grupo e a primeira coisa que faz é por a dupla Mustaine/Ellefson em uma clínica para reabilitação de drogados; assim, 1989 não foi um ano tão proveitoso quanto os anteriores. Dave passou grande parte desse ano em várias clínicas, mas tudo foi em vão. Vendo-se frustrado com o temperamento difícil de Mustaine, Thaler desiste de ajudá-lo e pula fora do barco. Para piorar, e agindo como um ditador mais uma vez, Mustaine despede seu baterista e guitarrista repentinamente. Acredita-se que Chuck Behler esteve envolvido com drogas (prá variar), mas Jeff Young foi chutado do Megadeth por “pegar” a namorada de Dave. Um pouco depois de ter sua banda reduzida a dois componentes, Mustaine é preso por dirigir embriagado por porte de narcóticos, depois de bater seu carro em uma aviatura policial estacionada e gasta-se algumas semanas para que essa incômoda situação seja resolvida. Em julho, Nick Menza entra para o Megadeth como o mais novo baterista da banda.
Sendo provisoriamente um “power trio”, pois Mustaine ainda não encontrara um guitarrista a altura, o Megadeth regrava o clássico do Alice Cooper “No More Mr. Nice Guy” em janeiro de 1990. Essa versão mais “metal” deles se torna um video clip, sendo que, através dele, Dave Mustaine mostra, mais uma vez, seu talento como guitarrista. Na mesma época Dave ouve vários músicos para ocupar a tão esperada vaga de guitarrista para o Megadeth, entre eles Lee Althus (na época tocava no Heathen, hoje no Exodus), Eric Meyer (do Dark Angel) e Jeff Loomis (Nevermore). Mas, depois de várias audiências, o guitarrista Marty Friedman (ex-Cacophony) é admitido por Mustaine. Assim, a formação que muitos (inclusive eu, óbvio) consideram como sendo clássica do Megadeth é formada. A partir desse ponto, começa a fase de ouro da banda.

A VOLTA POR CIMA E O GRANDE “RUST IN PEACE”

Dave Mustaine: Guitarra e voz; Dave Ellefson: Baixo; Nick Menza: Bateria; Marty Friedman: Guitarra. Essa é a formação que deu ao Megadeth sucesso e fama nos próximos nove anos. Mustaine e Ellefson parecem ter notado que agora contavam com dois grandes músicos e, dessa forma, decidem ficar livres de uma vez por todas do vício das drogas. Particularmente, o líder da banda Dave Mustaine muda totalmente sua atitude, tornando-se mais simpático e compenetrado no seu trabalho e no relacionamento com Elleson, Menza e Friedman. Mustaine fica sóbrio como nunca tinha estado nos últimos dez anos e, como consequência de sua conscientização individual em prol da banda, o Megadeth grava o álbum mais aclamado de toda a carreira do grupo: o grande “Rust In Peace”.


Lançado em outubro de 1990, “Rust In Peace” é um disco perfeito, com riffs intricados e milimetricamente encaixados. Não há nenhuma música que passe despercebida quando ouve-se esse álbum. Ele já começa estourando tudo com a clássica “Holy Wars... The Punishment Due” cujo riff inicial faz com que até os mais calmos percam o controle de sua sanidade mental. Falar desse álbum é “chover no molhado”. “Hangar 18” é uma aula de guitarra com a variação de solos executados pela grande dupla Dave/Marty no final da música. “Take No Prisoners”, “Lucretia” e a excelente “Tornado Of Souls” são clássicos eternos do Megadeth. Para finalizar essa obra de arte do Thrash Metal, a “estoura quarteirão” que dá o nome ao álbum, “Rust In Peace” é uma porrada na orelha.



Dave Mustaine, Nick Menza, David Ellefson e Marty Friedman, 1990

Creio que, com esse trabalho, Mustaine deu um grande passo como vocalista, uma vez que sua voz “rasgada” combinou muito tanto com o instrumental quanto com a temática de suas canções. O título “Enferrugem em Paz” pode ser um trocadilho com o fim da Guerra Fria, com referências aos mísseis nucleares. Letras que falam de problemas relacionados à religião e política adicionados ao perfeito som de guitarras, baixo e bateria fazem com que “Rust In Piece” seja um dos grandes discos dignos do estilo “thrash” do Metal de todos os tempos. Através dele, o Heavy Metal conhece a técnica do grande guitarrista Marty Friedman, pois seus solos mais virtuosos se encaixam perfeitamente nas bases de guitarra “speed metal” do Megadeth e, ao mesmo tempo, combinam com os solos mais “thrash” de Dave Mustaine; e a dupla de guitarristas Mustaine/ Friedman foi uma das mais famosas que o Metal já teve. “Rust In Piece” vendeu um milhão de cópias nos Estados Unidos e ganhou indicações no Grammy como “Melhor performance de Metal” através das músicas “Holy Wars... The Punishment Due” e “Hangar 18”. No mesmo mês do lançamento desse grande álbum, o Megadeth toca no festival “Clash of the Titans” juntamente com Testament, Slayer e Suicidal Tendencies.
No começo de 1991, o Megadeth tem a oportunidade de abrir para o Judas Priest, cujo álbum “Painkiller” acabara de ser lançado. Em abril, Mustaine se casa com Pamela Anne Casselbery e, depois de sua lua de mel, o Megadeth participa mais uma vez do clássico festival “Clash of the Titans” com as participações do Anthrax, Slayer e da banda de abertura Alice in Chains. Nessa mesma época, a banda vem para o Brasil, participando da segunda versão do Rock In Rio juntamente com Judas Priest, Queensryche, Guns ‘n Roses e Sepultura, tocando para um público de 140.000 pessoas.

“COUNTDOWN TO EXTINCTION”

Em janeiro de 1992, o Megadeth começa as gravações do seu próximo álbum, o sucessor de “Rust In Peace”. A banda gasta cerca de quatro meses para escrever todo o material daquele que viria a ser o álbum de mais sucesso comercial da banda, juntamente com o co-produtor Max Norman que também trabalhou no quarto álbum do Megadeth.


“Countdown To Extinction” foi o nome do quinto disco de estúdio de Mustaine & Cia., álbum cujo as músicas não foram escritas só por Dave, como acontecia anteriormente. Todos os componentes da banda tiveram suas contribuições, tanto na parte instrumental como nas letras, tudo chefiado, é claro, pelo front-man da banda. É com esse disco que pela primeira vez o mascote Vic-Rattlehead não aparece na capa e o nome “Countdown To Extinction” foi dado pelo baterista Nick Menza. Esse trabalho, assim como o anterior, foi um “hit”. “Countdown To Extinction” ganhou disco duplo de platina e, mais uma vez, o Megadeth ganhou a indicação de “Melhor performance de Metal” com "Symphony of Destruction", "Foreclosure of a Dream" e "Sweating Bullets". No final de 1992, o grupo sai em turnê mundial com o Pantera e Suicidal Tendencies seguido de uma turnê americana em janeiro do ano seguinte com o Stone Temple Pilots.
Apenas um mês do término das turnês, Mustaine tem outra recaída e mergulha nas drogas de novo. As datas futuras de shows tiveram de ser canceladas, inclusive as reservadas ao Japão, frustrando Elleson, Friedman e Menza. Dave é internado e após sete semanas de reabilitação, Megadeth está na ativa outra vez e imediatamente eles gravam a música “Angry Again”, canção essa incluída no filme “Last Action Hero” de 1993 e mais tarde nomeada no Grammy de 1994.
Em 1993 eles retornam aos palcos e aparecem como “convidados” especiais” no festival “Milton Keynes Bowl” do Metallica. Quem esteve lá viu uma das cenas mais bacanas e inusitadas da história das duas bandas: Mustaine sobe no palco com seus ex-companheiros depois de uma década os cinco músicos tocam “Hit The Lights”. Esse é um fato histórico pois, no show do Megadeth, logo após o término de “Wake Up Dead”, Mustaine faz um pronunciamento à platéia usando essas palavras: “For me today is a very historical day... ten years of bullshit is over between Megadeth and Metallica..." (“Prá mim, hoje é um dia histórico... dez anos de besteiras acabaram entre o Megadeth e o Metallica...”). Daí, seguem-se longos 13 segundos de aplausos da galera até Mustaine continuar “...and there’s a lot of assholes that said this would never ever happen...” (...e há um monte de cuzões que disseram isso nunca, nunca iria acontecer...), então ele esbraveja “...but I guess with all proved the wrong, uh?!... and for those sad people, there’s one word that describes you: liar...” (mas eu acho que nós provamos o contrário, uh?! ...e para esses infelizes, há uma palavra que os descreve: mentirosos...). P.S.: Ouvi esse trecho falado por Mustaine através do cd do show desse dia histórico “Megadeth: Punishment is Due” que tenho. Imediatamente, Mustaine começa a música “Liar” com o riff inicial matador e a galera abre um mosh gigantesco como se tivessem soltado uma dúzia de porcos selvagens entre o público possuído pela mistura de ira e alegria emanada Mustaine nesse dia histórico. Mas, como sabemos, alguns atritos iriam acontecer no futuro, principalmente entre os líderes dos dois grupos, Mustaine e Ulrich. Contudo, ao menos, esse fato serviu para Dave acalmar seus ânimos e seguir sua vida com o Megadeth.
Em julho a banda tem a turnê com o Aerosmith cancelada, devido às declarações de Mustaine dizendo que os caras do Aerosmith já estavam em idade avançada prá tocar. Com isso, logo no sétimo show das duas bandas, Steve Tyler & Cia. rompem a turnê com o Megadeth.

“YOUTHANASIA” E OS NOVOS CAMINHOS

No começo de 1994, o grupo se reúne para trabalhar no sucessor de “Countdown To Extinction”. Com três componentes vivendo no estado de Arizona, a banda entra para o “Phase Four Studios” mas, já no começo dos trabalhos, o equipamento do estúdio apresenta problemas e Mustaine insiste com a banda em gravar em sua casa. Contudo, a pedido do produtor Max Norman, o Megadeth constrói seu próprio estúdio em Phoenix. Pela primeira vez a banda faz todos os riffs, arranjos e letras em um estúdio, fato esse que rendeu ao grupo um vídeo nomeado como “
Evolver: The Making of Youthanasia”.

Ainda mais comercial que o anterior, “Youthtanasia” é lançado no dia primeiro de novembro de 1994, sendo que esse disco ganhou vários prêmios nos EUA e no Canadá, logo após seu lançamento. Com letras retratando mais os problemas que Mustaine tivera com as drogas em um passado recente, com a gravação de “Youthtanasia” o Megadeth tem sua canções postas nas rádios e a banda já não usa mais jeans rasgados e tênis surrados, adotando penteados e roupas mais “formais”.
Contudo, o Megadeth continua a ser uma verdadeira banda de Metal. Músicas como “Reckoning Day” e “Train Of Consequences” têm riffs e solos poderosos, assim como “Black Curtains” e “Victory”. No entanto, a canção intimista que Mustaine intitulou “A Tout Le Monde” (A Todo O Mundo) é um dos destaques do “Youthtanasia”, assim como as descritas anteriormente acima. De acordo com o próprio front-man, essa bela canção foi escrita baseada em um sonho que tivera com sua finada mãe. Ainda em novembro, o Megadeth aparece no “
Late Show with David Letterman” onde toca esse single do recente álbum. “A Tout Le Monde” também ganha um vídeo cujas imagens e letra são consideradas fortes pela mídia, pois a música poderia incitar ao suicídio. Coisa de “marketing”, porque essa música é uma linda balada escrita por Dave Mustaine.
A turnê para a divulgação do sexto álbum de estúdio do Megadeth começa em fins de 1994 na América do Sul e dura onze meses, sendo a maior “tour” já feita pela banda até então. Na Europa e nos Estados Unidos a banda toca com o Corrosion of Conformity e já em seu país, o Megadeth excursiona com Flotsam and Jetsam e Fear Factory; ainda no mesmo ano eles tocam com o Alice Cooper e Ozzy Osbourne no festival “Monsters of Rock”. O Megadeth é convidado a participar do tributo ao Black Sabbath “
Nativity in Black”, gravando “Paranoid”. A versão “Paranoid” do Megadeth foi nomeada pelo Grammy como “Melhor performance de Metal” em 1996. Em março de 1995 a banda grava uma edição especial do “Youthanasia” na Europa com o bônus “Hidden Treasures”, contendo várias músicas da banda em filmes e tributos.
Depois de uma turnê de quase um ano promovendo o recente “Youthanasia”, os membros do Megadeth têm “uma folga”. Nesse intervalo, Dave Mustaine grava um álbum com o vocalista Lee Ving do Fear chamado “The Craving”, em que Mustaine ocupa os cargos de guitarrista base e solo. Esse projeto intitulado MD.45 é um disco cujas canções foram escritas quase na sua totalidade por Mustaine, muito bacana de se ouvir.
O Megadeth aproveita o tempo para tratar de negócios mais burocráticos, como a assinatura com a marca ESP e a admissão de um novo engenheiro, Bud Prager. Esse, por sua vez, convence a banda de trabalhar com um novo produtor mais “pop” de nome Dann Huff. Assim como Max Norman que dera uma “nova cara” à banda com “Countdown To Extinction” e “Youthanasia”, a nova dupla influenciaria ainda mais na essência da banda, sendo que Bud Prager teve até mesmo créditos em algumas canções no disco à ser escrito.

“CRYPTIC WRITINGS”: MENOS FEROZ E MAIS COMERCIAL

Em setembro de 1996, o Megadeth começa a escrever o material previsto para ser lançado do por volta do ano seguinte. Dessa forma, em junho de 1997, é lançado “Cryptic Writings” pela Capitol Records. Mais uma vez a banda dera um grande passo em sua carreira, pois o mais novo álbum foi muito bem aceito pela mídia e público. Canções como “Trust”, “Almost Honest”, “Use The Man” e “Secret Palce” são tocadas me rádios e com clips na MTV.


Mesmo trilhando por caminhos mais acessíveis à rádios e a um público mais “pop”, a agressividade do Megadeth em “Cryptic Writings” ainda se faz presente em “The Desintegrators” na ótima “She-Wolf” e a “speed metal” “F.F.F.” Com vários prêmios em seu país, a banda ganha o prêmio de “Melhor Performance de Metal” em 1998 com “Trust”.
Fora dos palcos por mais de um ano, o Megadeth volta a ser apresentar ao público com força total em junho de 1997 em uma turnê mundial juntamente com o Misfits e, mais tarde, nos EUA com as bandas Life of Agony e Coal Chamber. A banda está a todo vapor e em julho de 1998 o Megadeth toca no Ozzfest mas, infelizmente no meio do festival, a banda tem sua primeira baixa em mais de oito anos. Nick Menza sentia fortes dores no seu joelho esquerdo, sendo mais tarde diagnosticado um tumor. Infelizmente, o baterista teve que sair abruptamente do Megadeth para realizar uma cirurgia e Mustaine imediatamente entra em contacto com Jimmy DeGrasso. Sendo informado que estaria na banda apenas provisoriamente, DeGrasso toca o restante dos shows no Ozzfest. Contudo, devido ao agravamento da lesão de Menza, ele é contratado por Dave Mustaine.

A TENTATIVA ERRADA: “RISK”

Ainda surpresos e satisfeitos com o sucesso nas rádios de “Cryptic Writings”, o Megadeth começa a esboçar em Nashville o que seria o oitavo trabalho da banda já em janeiro de 1999, com o mesmo diretor Prager e o produtor “pop” Dann Huff. Contudo, o reconhecimento que o grupo ganhara com o álbum de 1997 não foi o mesmo com esse trabalho. Intitulado “Risk”, o álbum, que foi lançado em 31 de agosto de 1999, pecou em muitas coisas, a começar pelas canções, uma vez que Mustaine optou por usar outras influências musicais tais como “eletro-music” e “música-techno”, fazendo com que muitos fãs fiéis ao som cru e visceral da banda desacreditassem do Megadeth. Pela primeira vez em toda carreira, o Megadeth não conseguiu nenhum prêmio, tanto em seu país quanto no exterior com o fracassado álbum.

Realmente o disco é muito pobre no que diz respeito à sonoridade pesada que o Megadeth até então tinha. No meu ponto de vista, creio que somente “Prince Of Darkness” e “Crush” se salvam do apagado “Risk”. Em julho daquele ano, o Megadeth gravou “Never Say Die” do eterno Black Sabbath para a segunda versão do tributo “Nativity In Black”. Em setembro, eles começaram a turnê do “Risk” tocando com o Iron Maiden por toda a Europa. Em dezembro, o Megadeth faz seu último show em Colorado com o lendário guitarrista Marty Friedman. Alegando divergências musicais devido ao lançamento do último álbum de estúdio”, Friedman decide abandonar a banda no começo de 2000 sendo substituído por Al Pitrelli, um excelente guitarrista que tocou no Savatage e com o velho Alice Cooper.

Dave Mustaine e Al Pitrelli, 2001

“THE WORLD NEEDS A HERO”: VOLTA ÀS ORIGENS?

Em abril de 2000, Mustaine, Ellefson, DeGrasso e Pitrelli entram em estúdio para a elaboração do próximo álbum da banda, o primeiro após o fiasco de “Risk”. Contudo, no primeiro mês de trabalho, a banda é convidada a participar de um festival com Anthrax e Motley Crue deixando em segundo plano as gravações para mais um álbum. Em outubro, o Megadeth rompe com a Capitol Records depois de 14 anos; mas a antiga a gravadora lança um álbum com as melhores faixas da banda em um cd nomeado “Capitol Punishment: The Megadeth Years. Nesse disco de grandes “hits” da banda, há ainda duas músicas inéditas, “Kill The King” e “Dread And Fugitive Mind”; ambas as canções são uma verdadeira volta ao passado na sonoridade do Megadeth, uma vez que o elemento “thrash” aparece na sonoridade da banda depois de algum tempo. Dessa forma, a banda assina, no mês seguinte, com a Sanctuary Records voltando ao estúdio logo após o contrato com a nova gravadora.

Mustaine decide despedir o diretor Bud Prager e ele mesmo produz o nono álbum da carreira do Megadeth: “The World Needs A Hero”. Lançado em 15 de maio de 2001, esse disco foi, na minha opinião, um grande trabalho da banda e, particularmente de Dave Mustaine pois, desde “Peace Sells... But Who’s Buying”, todas as faixas foram escritas por ele, exceto uma contribuição de Al Pitrelli em “Promises”. Os riffs criativos de Dave estão de volta nas músicas “Disconnect”, “1000 Times Goodbye”, “Recipe For Hate... Warhorse”, “Return To Hangar” e “When”. E depois de três álbuns consecutivos, Vic Rattlehead aparece nas capas dos discos do Megadeth e dessa vez ele aparece como "ressurgindo das cinzas". Contudo, poucos foram os prêmios ganhos com “The World Needs A Hero” devido, creio eu, às controvérsias por parte da crítica de metal em todo mundo.

Al Pitrelli, Jimmy DeGrasso, David Ellefson e Dave Mustaine, 2001

A turnê para divulgação de “TWNAH” começou em julho de 2001 na Europa com o AC/DC seguida de uma bateria de shows nos EUA com o Iced Earth e Endo em setembro. Porém, devido aos ataques às Torres Gêmeas no dia 11 daquele mês, o Megadeth teve que cancelar todos os shows já marcados, inclusive uma gravação de um DVD da Argentina. Ainda em terras norte-americanas, a banda faz dois shows em Arizona, sendo que esses dois dias são compilados no DVD “Rude Awakening” em novembro. Nesse trabalho, Mustaine pede desculpas aos argentinos pelo cancelamento dos shows e homenageia todas as vítimas do terrível atentado de 11 de setembro de 2001.

O “QUASE” FIM DO MEGADETH

No começo de 2002, mais precisamente em janeiro, Dave é internado em um hospital no estado americano do Texas para a remoção de uma pedra nos rins, onde os médicos fazem um “check-up” geral no guitarrista. Contudo, é constatado uma lesão em sua mão esquerda, mais precisamente no nervo radial ocorrida por Dave ter dormido em cima de sua mão o que acarretou a compressão do nervo pelo peso de seu corpo. Essa lesão grave impossibilitaria Mustaine de tocar guitarra por um longo tempo. Em 3 de abril, o front-man anuncia ao mundo que o Megadeth estava encerrando suas atividades depois de 18 anos de carreira devido ao sério problema na sua mão esquerda conhecida como “neuropatia radial”. Muitos fãs ficaram em todo o planeta ficaram perplexos com essa surpresa desagradável (inclusive eu), pois o álbum “The World Needs A Hero” foi um disco que fizera esquecer o fracasso de “Risk” e mais ainda, todos estavam esperando a gravação de um disco do Megadeth que sacramentasse de uma vez por todas a consolidação de Mustaine no cenário Thrash mundia. O consolo de muitos fãs foi o lançamento de um disco gravado em Phoenix por motivos contratuais com a Capitol Records em novembro de 2001 chamado “Still Alive... And Well?”. Juntamente com seis músicas ao vivo, há seis músicas extraídas do ainda recente “TWNAH”.
Com o fim de sua banda, Mustaine começa uma série de sessões de fisioterapia, inclusive com choques em sua mão lesionada cinco vezes por semana. Aos poucos, ele começa a tocar sua guitarra novamente e, simultaneamente às sessões, Mustaine começa a escrever um álbum que seria, a princípio, seu álbum solo. Seus parceiros nesse projeto eram o baixista de Nashville Jimmy Sloas e um dos melhores bateristas americanos, o experiente Vinnie Colaiuta. As gravações começaram em outubro de 2003 mas foram interrompidas pois Dave estava remixando oito álbuns do Megadeth com a Capitol Records.

“A VOLTA TRIUNFAL”

As gravações recomeçaram em maio do ano seguinte, e a idéia de Mustaine era ter um trabalho solo. Contudo, isso não pôde acontecer, uma vez que ele devia obrigações contratuais com a EMI, sendo “forçado” a gravar suas canções com o nome “Megadeth”. Parece que Dave não se importou e decide reformar sua banda contactando seu antigo baterista Nick Menza e seu eterno parceiro David Ellefson. Para sua surpresa, o baixista recusara repentinamente o convite. Segundo Mustaine, "David lied to me in the press, he said that my arm injury was fake, went around down and slandered me. We made him a really good offer to rejoin the band and he said no. I mean, if I give you an offer and you don't take it, it means no, right?" (David [Ellefson] mentiu prá mim, ele disse que a lesão no meu braço era mentira, deu meia volta e me insultou. Nós fizemos a ele uma oferta realmente boa para voltar à banda, e ele disse não. Quer dizer, se eu te dar uma oferta e você não pegá-la, isso quer dizer não, certo?). Assim, o novo álbum seria o primeiro a ser gravado pelo Megadeth sem a parceria Mustaine/Ellefson. Inicialmente inserido para participar do primeiro disco depois do “breakup” da banda, Nick Menza não consegue gravá-lo devido aos problemas que o músico voltara a ter em seu joelho. Dessa forma, Mustaine volta com Colaiuta na bateria e Jimmy Sloas no baixo. Para a segunda guitarra, Dave chama Chris Poland, músico da era “Killing Is My Business” e “Peace Sells”. Depois de 18 anos, Poland e Mustaine gravam um disco, mas Dave nunca cogitara a permanência do ex-companheiro em sua banda, porque Chris estava ainda com seu projeto de jazz fusion na ativa.

No dia 14 de setembro de 2004, é lançado o álbum “The System Has Failed”, o primeiro depois do encerramento da banda em 2002. Esse disco foi a nova e definitiva consolidação de Dave no mundo do Metal: seu mais novo trabalho foi um furacão destruindo tudo ao seu redor. Riffs pesados, letras polêmicas e solos cortantes eram os principais ingredientes de “The System Has Failed”, ou seja, a tão aclamada e reconhecida agressividade do Megadeth é explícita nesse ótimo álbum. Músicas como “Blackmail The Universe”, “Kick The Chair”, “Tears In A Vail”, “Back In The Day” e “Truth Be Told” são verdadeiras porradas na orelha. Os dias de premiações por parte da mídia metal, tão característicos nos velhos tempos, voltara com o lançamento de “TSHF”.
Em outubro do mesmo ano a banda inicia a “Blackmail the Universe Tour” com novos músicos tocando com Mustaine. James MacDonough (ex-Iced Earth) era o baixista,
Glen Drover (ex-King Diamond) estava na segunda guitarra e para as baquetas seu irmão Shawn Drover. A dupla Glover era famosa na cena canadense de Thrash Metal, pois os dois fizeram parte de uma das mais famosas bandas do gênero, Eidolon. O Megadeth faz shows em todo o território americano com o Exodus e na Europa com King Diamond e Dungeon.
Em junho de 2005 a Capitol Records lança o duplo “
Greatest Hits: Back to the Start” contendo várias músicas remasterizadas e mixadas escolhidas por fãs de todo mundo através da Internet e o último show de Marty Friedman na banda gravado em Colorado em 29 de dezembro de 1999.
Os anos de 2005 e metade de 2006 foram gastos com o Megadeth excursionando por todo mundo em um festival criado por Dave Mustaine apelidado de “Gigantour”, festival este em que a banda tocou com várias bandas e em vários países. Pela primeira vez o Megadeth toca no “
Dubai Desert Rock” nos Emirados Árabes com Testament e 3 Doors Down já com o baixista James Lomenzo (ex-David Lee Roth e Black Label Society) devido à saída de MacDonough em fevereiro de 2006 alegando “diferenças musicais”. Um dos mais famosos shows da Gigantour foi gravado na Argentina chamado “That One Day: Live in Buenos Aires” em outubro de 2005 com os ingressos todos vendidos no “Pepsi Music Rock Festival”. Esse show foi gravado em DVD e ganhou vários prêmios nos EUA, sendo lançado oficialmente em setembro de 2007.

O SUCESSO DE “UNITED ABOMINATIONS”

Em maio de 2006 Mustaine anuncia que a banda estaria trabalhando para mais um álbum de estúdio que só fora lançado oficialmente um ano depois no dia 15 de maio de 2007. A formação do Megadeth contava com Mustaine na primeira guitarra e nos vocais, Glen Drover na segunda guitarra, Shawn Drover na bateria e James Lomenzo no baixo. Chamado “United Abominations” o novo álbum vendeu 54.000 cópias só na primeira semana e ganhou vários prêmios nos EUA.


Com excelentes canções “Thrash/Speed Metal”, realmente “United Abominations” é um álbum fóda, apresentando mais uma vez, desde a primeira até a última faixa, uma saraivada de riffs intricados por parte do grande guitarrista que é Dave Mustaine; as letras seguem a linha polêmica e controversa com relação aos recentes problemas sócio-econômicos no cenário mundial, características da temática abordada por Mustaine. Contudo, acho que muitos esperavam mais da dupla Drover, uma vez que os mesmos não tiveram a pegada forte de Colaiuta e Poland, quando estes gravaram “The System Has Failed”. Mas o grande destaque de “United Abominations” é o guitarrista, líder, front-man e vocalista Dave Mustaine que mostra ao mundo que é um dos grandes “riff-masters” da história do Metal. Suas bases e solos destruidores ganham forma em músicas como “Sleepwalker”, “Washington Is Next!”, “United Abominations”, “Pay For Blood” e “You’re Dead”. Destaque também para a regravação de “A Tout Le Monde” com os vocais adicionais da bela vocalista Cristina Scabbia do Lacuna Coil. O Megadeth inicia a turnê do mais novo álbum nos EUA e no Canadá com as bandas Down, Machine Head e com o todo poderoso Heaven & Hell de Tony Iommi.
No dia 13 de janeiro de 2008, Mustaine anuncia que o guitarrista Glen Drover deixara a banda alegando querer estar mais perto da família. Para seu lugar Mustaine contrata Chris Broderick (ex-Nevermore). O novo guitarrista teve pouco tempo para treinar as músicas, pois já em 4 de fevereiro o Megadeth já estava excursionando e tocando ao redor do mundo. Eu tive a grata oportunidade de ver o grande Megadeth em ação na minha cidade, Belo Horizonte, no dia 08 de junho de 2008 e, apesar de um show relativamente curto, notei que Broderick faz uma ótima dupla de guitarrista com Dave Mustaine. Ele é um excelente músico e tem agradado tanto aos fãs quanto o próprio líder do Megadeth.

Megadeth em BH, 08/06/2008

MEGADETH E DAVE MUSTAINE EM 2009: MAIS FORTES DO QUE NUNCA

Atualmente a banda tem trabalhado pesado para a gravação do sucessor de “United Abominations” desde setembro do ano passado juntamente com o famoso produtor Andy Sneap. Este disco será o primeiro com Chris Broderick e as expectativas para esse álbum estão sendo bastante animadoras. Segundo o próprio Mustaine, as guitarras bases e todos os vocais já foram finalizados, e o líder do Megadeth ainda já soltou alguns dos prováveis nomes de algumas músicas, tais como "The Hardest Part of Letting Go", “This Day We Fight” , “How The Story Ends" e “1,320”. No próximos meses o Megadeth tocará no festival “Canadian Carnage” com o Slayer e com as bandas de abertura “Machine Head” e “Suicide Silence”.

Chris Broderick, James Lomenzo, Dave Mustaine e Shawn Drover, 2009

Contraditório, habilidoso, polêmico, inteligente ou explosivo. Essas e mais um grande número de adjetivos podem ser atribuídos a David Scott Mustaine. Muita gente pode não gostar de suas atitudes ou do propósito que Mustaine tem com sua banda, pois gosto não se discute. Mas é inadmissível negar sua habilidade com a guitarra, a inteligência como letrista e sua forma única de expressar suas músicas tocando e cantando nos palcos. Sendo um dos pioneiros do movimento surgido nos EUA no começo dos anos oitenta, Dave Mustaine é um dos poucos a manter a atitude “thrash” desde a consolidação dessa vertente do Metal por volta de 1986 (cito aqui também Gary Holt do Exodus e Eric Peterson & Chuck Billy do Testament). A tenacidade que Mustaine tem ao abordar as consequências das guerras e divergências dos governantes das principais nações mundiais em forma musical não é de hoje, uma vez que o líder do Megadeth já relata as guerras frequentes nos anos 80 através dos álbuns “Peace Sells... But Who’s Buying”, “So Far, So Good... So What” e “Rust In Peace”. Durante sua carreira com o Megadeth, Mustaine inteligentemente também cita os problemas e os efeitos da ação do homem na natureza através das letras de “Countdown To Extinction” e “Dawn Patrol”; conflitos de ordem religiosa na impecável “Holy Wars... The Punishment Due” ; corrupção e omissão política em "Peace Sells", "The World Needs A Hero" and "Blackmail the Universe", assim como fortes temas pessoais em “In My Darkest Hour” e “A Tout Le Monde”.


Dave Mustaine

Dave Mustaine hoje parece viver uma vida mais tranquila, embora esteja à frente de uma das mais famosas bandas de Metal de todos os tempos. Casado desde 1992, ele vive com sua mulher Pamela Mustaine e seus dois filhos, Justis e Electra Mustaine. Cristão desde meados do ano 2000, ele é uma pessoa que vive sua vida intensamente a todo momento e raramente esconde aquilo que sente, tanto para sua família quanto para os milhares de fãs; o reflexo de suas alegrias, momentos de raiva, preocupações e frustrações é facilmente traduzido em forma de canções. Dave Mustaine não é apenas o líder de uma banda; é um artista cujas músicas permanecerão por toda a eternidade.




Fontes: Vídeo "Behind The Music" - Megadeth" (Extended Version)


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